Os sons da nossa vida

Tema foi abordado nas palestras do TEDxUnisinosSalon, na quinta-feira, 17/03

Ruídos das cidades, palavras de gratidão, ensinamentos musicais. Onipresentes, os sons da nossa vida influenciam o modo como percebemos e construímos a realidade; são inspirações. Pautada por esse tema, a Unisinos promoveu a terceira edição do TEDxUnisinosSalon na manhã de quinta-feira, 17 de março. O encontro ocorreu no Anfiteatro Padre Werner, campus de São Leopoldo da instituição.

Izabele Colusso, professora da Unisinos e primeira palestrante do dia, defendeu a ideia de que só conseguimos acessar a noção de cidade em plenitude por meio dos sentidos, entre eles a audição. “As pessoas atribuem significados aos sons, e esses significados estão relacionados a um escopo cultural, a tudo aquilo que vivemos”, disse. “Os sons nos ajudam a apreender as paisagens urbanas; são como ferramentas de leitura do espaço.” De acordo com Izabele, estamos permanentemente imersos em ambientes sonoros e, por isso, somos o tempo todo submetidos a fontes de ruídos, que são reinterpretados conforme a situação. “O canto do pássaro é agradável quando consideramos o contato com a natureza, mas pode ser irritante se quisermos dormir ou estudar”, exemplificou. A palestrante também chamou a atenção para o fato de os jovens, principalmente, estarem desenvolvendo uma atitude blasé, ou seja, de atribuírem o mesmo significado plano e homogêneo para tudo. Por fim, concluiu que a audição é uma das possibilidades de reverter esse cenário e efetivar as experiências de contato com a cidade.

Na sequência, subiu ao palco do TEDxUnisinosSalon J.J. Camargo, professor de cirurgia torácica e membro titular da Academia Nacional de Medicina. Ao falar sobre gratidão, o convidado destacou que esse sentimento se manifesta sob diversas formas sonoras, do estardalhaço ao silêncio, e que consiste na “mais nobre das virtudes, marca implacável no caráter das pessoas”. Com relatos de sua própria experiência enquanto médico, J.J. demonstrou que o som está presente nas sutilezas, nas reações imprevistas, na urgência e mesmo na ausência de palavras, pois a gratidão que cala também é eloquente. “A vida que vale a pena é a vida que é capaz de modificar a vida dos outros”, pontuou. Na visão do palestrante, o sucesso de alguém pode ser medido pelo número de vezes que esse alguém tenha suscitado nos outros o sentimento de gratidão, e isso, para J.J., também quer dizer revelar suas próprias fragilidades quando necessário. “Essa identidade, essa sincronia de sentimentos e afetos, é o que torna as pessoas realmente conectadas”, finalizou.

O terceiro palestrante, Porã Bernardes, é jornalista e integra a bancada do Pretinho Básico, além do Programa do Porã, na Rede Atlântida. Ao assumir o palco, lembrou a influência musical que veio do pai, o “ser humano totalmente musical que não sabia tocar uma nota sequer”. “Meu pai adorava cantar. Foi ele quem me fez perceber as sonoridades, e hoje é a música que faz com que ele esteja presente na minha vida.” Porã falou ao público sobre como os sons transformaram sua trajetória, tanto pessoal quanto profissionalmente. Comentou sobre a juventude visitando lojas de discos e fez referência a nomes como o do cantor, guitarrista e compositor jamaicano Bob Marley, ressaltando que os artistas conseguem expressar não só o que eles pensam, mas o que a sociedade em geral sente. De acordo com o palestrante, a música tem o poder de ser uma chave que abre portas e mostra caminhos para perceber o mundo. É uma experiência transcendental, capaz de provocar o choro, o riso e a afetividade. “A música me fez, me faz, me transforma diariamente e permite que eu crie contextos emocionais com as pessoas”, disse. “Os sons são diamantes da humanidade.”

Entre as palestras, os músicos Gustavo Assis Brasil e Guilherme Barros, naturais de Santa Maria, apresentaram um dueto de guitarras. O evento também contou com a projeção de duas talks do TED, o primeiro de Meklit Hadero e o segundo de Bernie Krause. Meklit falou sobre como os sons que escutamos cotidianamente influenciam as músicas que criamos, e destacou que “não há limites para a inspiração se estivermos ouvindo”. Já Bernie abordou as paisagens sonoras selvagens (sons produzidos pelos animais nas florestas) como forma de avaliar habitats e conhecer a densidade e a diversidade da fauna.

 

Você já pode ver todas as fotos do ‪‎TEDxUnisinosSalon‬ 2016 no álbum do Flickr.

E prepare-se: neste ano, o TEDxUnisinos será no dia 21 de outubro.

 

Texto: PÂMELA OLIVEIRA

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