Saúde não é somente a ausência de doenças

Maria Amélia Mano, médica da família, falou como o exercício da escuta pode transformar a vida de quem precisa de cuidado

Correr contra o tempo. De acordo com a médica Maria Amélia Mano, dedicarse profundamente ao paciente, inclusive contra a maré do imediatismo da sociedade atual, é o diferencial do profissional da Saúde. Ela mesma, entre todas as possibilidades que a Medicina oferece, optou em trilhar sua profissão com o viés social.

A primeira speaker do TEDxUnisinosSalon falou sobre a ideia de transformar a vida das pessoas que precisam de cuidados com um tratamento humanizado, baseado na cura completa. Para ela, trata-se do resgate de bem escutar, que é resgate do bem cuidar. “O meu ofício enquanto médica de família é muito mais na escuta que fala, num ambiente muito mais íntimo, o que é muito revolucionário, considerando a dinâmica corrida da atualidade. As revoluções são necessárias, não de conquista de poder, mas dos pequenos espaços e atitudes”, iniciou.

Ana Amélia, atua no projeto Memórias da Vila Dique, agora chamado de Minha Nova Rua, que acontece na Unidade Básica de Saúde Santíssima Trindade, pertencente ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Trata-se de uma iniciativa que tem por objetivo empoderar os ex-moradores do bairro porto-alegrense, que foram reassentados no conjunto habitacional Porto Novo, por meio de atividades de fotografia, conversas, troca de experiências e memórias, entre outras. “E o que isso tem a ver com Saúde?”, indagou a palestrante, que logo completou, “a saúde não tem a ver somente com a ausência de doença, mas com moradia digna, educação, infraestrutura, qualidade de vida”, ponderou.

Neste contexto, a cidadania entra no campo da Saúde para contemplar os cidadãos e seus contextos e o que os constituem. Os participantes do projeto passaram por grandes transformações em vários âmbitos das suas vidas, e encontram na iniciativa uma ferramenta para ressignificar os seus territórios e a própria existência. “Existem heróis e heroínas que andam entre nós. Os moradores do bairro tiveram suas vidas transformadas, assumiram uma postura diferenciada diante das dificuldades e inspiram outras pessoas. De forma muito digna, conquistaram inúmeros benefícios para o bairro. Quando trabalhamos na periferia, nem sempre as pessoas sabem explicar o que deve ser feito, então saem a semear, fazendo a sua parte na revolução e transformação”, concluiu.

Texto: Cândida Portolan

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