Os mistérios da relação entre o uso das redes sociais e a saúde mental

Comunicador nato e psiquiatra por profissão, falou sobre tecnologia, diálogo e o bem cuidar

A saúde mental é uma área da Medicina repleta de mistérios que despertam a curiosidade de leigos e, também, de quem aspira propulsionar a qualidade de vida dos cidadãos. O psiquiatra Flávio Milman Shansis é um comunicador nato, que encontrou na psiquiatria o caminho mais humano na Medicina, sua segunda e grande paixão, para tratar seus pacientes. Mais do isso, pesquisar ferramentas para qualificar, cada vez mais, o atendimento de pessoas que sofrem de doenças mentais. Neste sábado, 1º, o psiquiatra Flávio também foi speaker e partilhou, no TEDxUnisinosSalon, os desafios de quem imerge no estudo sobre depressão e bipolaridade ligadas ao uso das redes sociais.

O speaker começou o talk contando uma história que aconteceu no seu consultório, há cerca de 10 anos, quando as consultas aconteciam de uma forma muito diferente do que é hoje. “Era março, muito quente, e um paciente chegou para a primeira conversa depois das férias. Logo ele pegou o celular, me mostrou fotos das viagens e fiquei horrorizado”, declarou. Ele frisou que havia aprendido, na academia, que a palavra simbolizava as sensações e anseios, mas a foto era uma informação concreta. “O tempo passou e hoje os pacientes mostram fotos, conversas e áudios trocados em aplicativos. O mundo mudou. Estamos no mundo da inclusão”, declarou.

As redes sociais mudaram a forma como as pessoas interagem e se comunicam. De acordo com o palestrante, somente o Facebook conta com 2 bilhões de inscritos. A Literatura específica ainda é controversa sobre a associação do tempo de acesso às redes sociais e saúde mental, mas existem três hipóteses que podem nortear a relação: a depressão, autoestima e dependência.

Flávio explicou que sintomas depressivos podem aparecer nas pessoas que dedicam muito tempo às redes sociais, como tristeza e solidão. Por outro lado, quem encontra nas plataformas uma possibilidade de fazer contato com parentes que moram longe, por exemplo, costumam se sentir mais felizes e acolhidos. A autoestima é fundamental para saúde mental. “Estudos apontam que pessoas com baixa autoestima fazem grande uso de publicações de autopromoção, buscando estabelecer e sustentar aparências”, detalhou. Já para analisar a dependência, ressaltou que é interessante observá-la dentro do que chamou de “um continuo” de uso. Geralmente, as pessoas realmente dependentes apresentam sintomas de dependentes de drogas, inclusive abstinência quando ficam offline.

Neste sentido, a educação se revela como uma importante ferramenta para o bem cuidar. Em tempos em que as redes sociais provocaram mais transparência e diminuíram a privacidade de pessoas ou empresas, o psiquiatra recomenda o diálogo próximo e aberto entre os nativos e os imigrantes digitais (aqueles que já nasceram na era das redes e os que foram aderindo conforme a sua evolução), a fim de aprenderem juntos como lidar com as diferentes situações. “Precisamos nos despir de preconceitos e nos abrir para novos pensamentos sobre as novas tecnologias e mudanças do mundo; aprender, dialogar e crescer juntos para cuidar bem”, encerrou.

Texto: Cândida Portolan

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