O palco do TEDxUnisinos foi o momento do público conhecer histórias de superação e projetos de vida impactantes.

No dia 21/10, temas como preconceito, desigualdade social e de gênero foram abordados pelos palestrantes no Teatro do Sesi.

Texto: Nicole Fritzen – unicos.cc

Perfil fora dos padrões da sociedade

“Sempre fui considerada um sujeito esquisito, que não se enquadra nos padrões da sociedade”. Foi com essa frase que Consuelo Vallandro iniciou sua apresentação no evento. Formada em Letras, ela atua como tradutora e há mais de 20 anos se dedica ao esporte, dança e artes cênicas. Consuelo contou que sofreu muito preconceito e passou por situações adversas na profissão por conta de sua aparência e de seus interesses. Perdeu a mãe aos cinco anos, tinha um relacionamento distante com o pai e era excluída nos tempos de escola. “Eu era considerada uma estranha nos ambientes que circulava. Até meu nome é incomum”, comentou.

Na sua fala, Consuelo ressaltou a importância de assumir sua identidade e não se importar com estereótipos. “Por que nos esforçamos para sermos considerados normais? Por que esconder nossas bizarrices? Apesar de tudo, não tenho vergonha de assumir quem sou”, ponderou. Ela lembrou a ideia de perfeição do corpo feminino e a suposta necessidade de submeter-se a cirurgias plásticas para se enquadrar aos parâmetros sociais. Durante sua apresentação, Consuelo fez uma performance na qual retirava algumas peças de roupa até ficar com o corpo coberto por plásticos, emocionando o público e sendo aplaudida de pé.

Outro exemplo de perfil que não se enquadrava nos padrões foi o da carioca Tainá Almeida. Coordenadora do coletivo Meninas Black Power, grupo que desenvolve oficinas em escolas cariocas, ela contou sobre a difícil decisão de manter o cabelo crespo. “Desde adolescente, via minhas amigas acompanhando as revistas de moda e eu não conseguia me identificar com as modelos de cabelos lisos e loiros. Sofria muito com isso”, relembrou. Ela mencionou a cantora Melanie Brown, das Spice Girls, como uma de suas inspirações na época. “Ela foi uma das primeiras bonecas negras e com cabelo crespo que vi. Quando decidi alisar o cabelo, aos 23 anos, foi um momento muito difícil. Hoje vejo que maltratei com química e progressiva uma parte da minha história”, relatou.

Apoio a causas sociais e igualdades de gênero

Dois momentos importantes do evento abordaram projetos sociais voltados às minorias e causas femininas. Ione Bentz, que faz um projeto de pesquisa sobre Mulheres do Quilombo do Areal, em Porto Alegre, falou sobre a presença das mulheres no mercado de trabalho e a luta por direitos iguais. “Cresci em uma época onde o patriarcado era muito presente. Enquanto os homens precisavam estudar para garantir o sustento da casa, as mulheres não estavam aptas para trabalhar fora”, explanou.

Ione relatou que as mulheres eram formadas para o magistério. “Não precisaria trabalhar, mas se precisasse, trabalharia”. Foi o que aconteceu com ela. Órfã de pai aos 16 anos, Ione começou a lecionar cedo e buscou formação no ensino superior. Assim, mostrou que mulheres podiam sim estudar e desempenhar outras funções. “Precisamos de um espírito de rebeldia e mudança, caso contrário, não existe um movimento. O conhecimento é libertador e ele assusta”, ressaltou.

Doutora em Linguística e Semiótica, a professora orgulha-se da sua profissão. “Fiz a escolha certa. Ultrapassei as barreiras por uma boa causa: estar com os alunos é estar junto sempre, um momento ímpar”, comentou.

Feminista, socióloga e jornalista, Ana Emília Cardoso atua pela inclusão social dos refugiados, um dos grandes desafios do mundo contemporâneo. Ela compartilhou com o público o projeto Bonne Chance, que oferece aulas de francês ministradas por essas pessoas que tiveram que deixar seu país e, muitas vezes, suas famílias por conta de conflitos ou perseguições. “Foi uma oportunidade que encontrei de ajudar essas pessoas e valorizá-las. No começo, não imaginava que faria tanto sucesso, pois foi uma ideia que nasceu naturalmente, sem grandes intenções”, pontuou a idealizadora do projeto.

Atualmente, as aulas contam com 120 alunos, quatro professores e treinamentos semanais para novos . Além disso, a iniciativa está com uma lista de espera e pode abrir mais turmas em breve.

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