Doutora em cardiologia, Lucia Campos Pellanda é uma das convidadas para o TEDxUnisinosSalon

Com mais de 25 anos de experiência na medicina, Lucia Campos Pellanda sempre se sentiu dividida entre dois sonhos: o de ser professora e de ser médica. As bonecas foram suas primeiras alunas e também pacientes. Aos quatro anos, dizia aos pais que seria “médica de congresso” e, quando cresceu, buscou unir e realizar as duas profissões.

Atual reitora da Universidade Federal da Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Lucia é uma das palestrantes do próximo TEDxUnisinosSalon, que ocorre no Campus Unisinos Porto Alegre. A especialista em Pediatria e doutora em Cardiologia pela Fundação Universitária de Cardiologia falará sobre ser professor de quem cuida e vai cuidar.

Natural de Porto Alegre, a médica cursou o magistério durante o Ensino Médio, quando pode colocar em prática o desejo de ser professora ao dar aula para uma turma de crianças da 4ª série. Com o vestibular se aproximando, porém, o sonho de ser médica e, principalmente, pediatra falou mais alto e ela decidiu ingressar na área da saúde.

Em 1986 começou os estudos na faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no mesmo ano realizou projetos de pesquisa, nos quais percebeu que poderia unir as duas paixões. A vida acadêmica se tornou uma constante durante a graduação. Por meio de diversas pesquisas desenvolveu várias competências e encontrou seu caminho na medicina, a cardiologia pediátrica e o ensino.

A medicina é uma profissão muito fluida para Lucia, e ela reforça isso para os alunos. “Você pode fazer medicina aeroespacial, pode ter contato extremo com um paciente ou nunca ver um paciente. Dentro da medicina existem várias possibilidades”, fala.

A médica decidiu pela cardiologia por ser uma apaixonada pelo coração“. Não tem nada mais simbólico que o coração né? Ele é o centro da vida, dos sentimentos”, explica ela, embora reconheça que qualquer especialista dirá o mesmo sobre sua área. A cardiologia também foi o tema de seu mestrado, em 1997, e do doutorado, em 2004, ambos obtidos pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul e Fundação Universitária Cardiologia (IC FUC).

Trabalhar com crianças foi uma escolha fácil, porque Lucia acredita que elas são muito corajosas, afetivas e têm o poder de surpreender. “As crianças te dão muito em troca, tu aprendes muito com elas e principalmente com essas novas crianças. Eu acho que essa nova geração está vindo muito aditivada. Elas são uma geração diferente, então as coisas que eles dizem sobre a vida são tão surpreendentes eu acho que vale muito a pena”, complementa.

Entre 1992 e 1993 a profissional fez residência médica em pediatria pela UFRGS e após isso, em 1994 a 1995, em cardiologia pediátrica pelo IC FUC. Foi através das residências que teve uma das experiências mais marcantes quando médica: trabalhou durante dois meses com bebês prematuros. Ela lembra em especial de uma criança que sempre se mostrou muito resistente.

“Esse menino era super corajoso. Toda vez que a gente achava que ele ia desistir ele aguentava mais um pouco. Muitos anos depois, eu acho que uns 20 anos, eu estava atravessando a rua na frente do hospital de noite e passa um guri enorme e uma senhora, a mãe do menino diz ‘Olha lá a doutora Lucia que cuidou de ti no berçário!’. Aquilo foi tão marcante e emocionante, porque era de noite, 20 anos depois e ela não havia esquecido de mim, assim como eu não tinha esquecido dela. Ela tinha ficado ali e naqueles dois meses a gente tinha lutado juntas. Isso é algo que nunca vou esquecer. São os privilégios que a medicina traz”, conta.

A música também é uma grande parte de sua vida. Desde 2012 ela participa do coral da UFCSPA. O grupo representa um dos grandes sonhos de Lucia, a colaboração, como a união, tanto de vozes quanto de pessoas pode deixar as coisas mais fáceis e também o grupo mais forte. A colaboração é o novo método para o ensino, a gestão e a vida.

Sobre a profissão de ser médica, a profissional sempre diz que considera todas as profissões importantes, porém a medicina tem o privilégio de se conseguir ver os resultados no paciente. Ela considera um dos fatores mais importantes integrar os aspectos humanos com os aspectos técnicos. “A medicina e todas as profissões da área da saúde, têm um componente técnico muito importante, mas se não tiver um ser humano não vai adiantar nada. Se não a gente poderia ser facilmente substituído por um computador. Portanto, nunca seremos substituídos por causa disso, porque é preciso sensibilidade, é preciso empatia e olhar o outro de verdade”, complementa.

As inspirações do trabalho também partem de vários lugares. Professores, sonhadores, líderes mundiais que acreditam na colaboração, família e principalmente os alunos são as maiores inspirações de Lucia.

Como recado aos alunos e aqueles que querem entrar na medicina, ela diz que o principal é estar presente e fazer o seu trabalho da melhor forma. “Fazer o que a gente gosta, fazer bem e pensar no impacto que nós vamos ter no mundo”, finaliza.

Aos 50 anos, Lucia acredita que já fez várias coisas e alcançou o sonho de ser “médica de congresso”. Porém, diz que sua vida ainda está começando e que tem muito mais para realizar. Quanto ao futuro, ela prefere viver cada dia de uma vez.

“Meu sonho é poder estar sempre aprendendo, ser uma pessoa melhor a cada dia e poder ver isso se espalhar. O que eu imagino é que não importa onde eu vou estar, se é na sala de aula ou no ambulatório do hospital ou em um congresso, eu imagino que eu vou estar fazendo o melhor, com a maior presença possível”.

Texto: Eduarda Bitencourt

One Response to “Doutora em cardiologia, Lucia Campos Pellanda é uma das convidadas para o TEDxUnisinosSalon”

  1. Ana Claudia disse:

    Terei a honra de ser a Hostess deste TEDxUnisinos Salon e apresentar a professora Lúcia Pellanda ao público será uma alegria imensa!

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